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terça-feira, 2 de setembro de 2014

OFICINA DE MÁSCARAS AFRICANAS (02/09/2014)

Serviço:
Autoria do texto: equipe PIBID, Subprojeto História
Relações públicas e secretariado de setembro:  Jaqueline, Maria Elisa
Revisão do texto: Euzebio.

Tema da oficina realizada
Aos dias 02 do mês de setembro de 2014 ocorreu nossa segunda oficina no Colégio Estadual de Tempo Integral Dr. Albion de Castro Curado, com o tema. “Oficina de Máscaras Africanas”. O objetivo desta oficina era desenvolver na escola questões que envolvem a cultura africana, seus mitos, ideologias, crenças que envolviam as construções das máscaras, pois cada máscara produzida trazia  significado, um ritual.

Nos Reunimos no Colégio por volta das 07:00 h. da manhã para a organização do espaço e dos equipamentos. A oficina foi estruturada da seguinte forma, no período matutino, duas primeiras aulas reunimos os 6º e 7º ano. Iniciamos com uma apresentação introdutória sobre a oficina explicando o  significado das máscaras, mitos, o que são orixás etc. Nos dois últimos horários realizamos o mesmo processo,  nas salas do 8º e 9º anos.

A introdução da oficina no período matutino foi realizada  no laboratório de informática, utilizando o Data show na transmissão de filmes, slides e imagens. Para iniciarmos nossos trabalhos foi ouvida a música “Caçador de mim” interpretada por Joel Augusto, foi feita uma reflexão sobre a mesma, onde a pibidiana Jaqueline Morais, debateu juntamente com os alunos qual a mensagem que a música passava. Foi passado aos alunos que Milton Nascimento é um cantor que possui uma grande representação da cultura negra. Após foram explicado pela pibidiana Jessica o que são mitos, pra que os africanos utilizavam as máscaras, o que são orixás e ainda foi mostrado no slide um mito  IBEJIS e  um vídeo com imagens de várias máscaras africanas, apresentado pela pibidiana Wariane e Letícia.

No período vespertino demos continuidade ao trabalho com a oficina prática de confecções das máscaras.
Objetivo da oficina

A oficina prática foi desenvolvida com desenhos das máscaras nos rostos dos alunos, com o intuito de aproxima-los da cultura africana, e deixando com que a imaginação fluísse e assim sentir basicamente nas performances dos africanos quando se vestiam numa máscaras.

No período vespertino nos reunimos na brinquedoteca, para a pintura facial das máscaras foram utilizadas tintas próprias para o rosto. A oficina apresentou um bom resultado pois houve um grande envolvimento dos alunos que participaram  com entusiasmo. Então vejo esta oficina como uma ação muito importante, através dela de alguma forma os alunos se comunicaram com a cultura africana, despertando em muitos o reconhecimento de sua própria identidade.

FOTOS REFERENTE A OFICINA




















Alunos sentados em roda para melhor interação.





Alunos acompanhando o slide.


















Jaqueline e Jéssica desenhando nos rostos dos alunos
























 Maria Elisa, Wariane e Letícia pintando os rostos dos alunos.


























Frequência nas atividades: Estiveram presente, durante todo o dia, Jaqueline, Jéssica, Kesia, Letícia, Maria Elisa, Wariane, Jade, Maria Cristina. no dia quem não compareceu mas justificaram a ausência foram Mauro e o Coordenador Euzebio Carvalho.






terça-feira, 10 de junho de 2014

OFICINA DE CABELO AFRO & 14ª REUNIÃO DE FORMAÇÃO (10/06/2014)


Serviço:
Autoria do texto: equipe PIBID, Subprojeto História
Relações públicas e secretariado de maio: Mauro Moreira e Letícia
Revisão textual: Euzebio Carvalho

Reunimos às 7h no colégio estadual Dr. Albion de Castro Curado para realizarmos a oficina de cabelo afro. Após nossa chegada, fomos ao encontro das meninas que haviam aceitado nosso convite na última terça, para participar da oficina. Levamos para o colégio todos os materiais necessários para realização do evento (xampu, creme para hidratar, fitas, flores, e demais enfeites para os cabelos).
Nos reunimos na sala da brinquedoteca, onde participaram aproximadamente 20 meninas.
Fabio, Wariane, Mauro e Maria Elisa na lavagem e hidratação.

Os bolsistas Mauro, Fabio, Jaqueline, Wariane e Maria Elisa ficaram com a lavagem e a hidratação dos cabelos; Késia, Letícia e Jaqueline com os penteados e Jessica com o toque final, a maquiagem.

Para incentivar não somente as meninas que participaram da oficina, mas a escola toda, tivemos uma palestra com a Profa Ms. Lídia Ribeiro, docente da Universidade Estadual de Goiás. Ela falou um pouco sobre sua história de vida, destacando os preconceitos que ela passou por causa do seu cabelo afro.
    
Letícia, Késia e Jaqueline nos penteados.
 Encerramos a oficina com um desfile das meninas com os seus penteados. Nesse momento, foram apresentadas e comentadas as  diferentes possibilidades e modos de usar os cabelos afro: trança raiz, trança rabo de peixe, cabelos batidos com flores entre outro.

Reunião de formação

Às quatorze horas, reunimo-nos na UEG, no laboratório de Historia (CEPEDON). Ficamos das quatorze as dezesseis colocando nossas atividades em dias (diário de campo, blog do projeto etc).
  
Jéssica na maquiagem.
Às dezesseis, paramos para fazer um balanço da oficina realizada no colégio na parte da manhã. Todos os bolsistas deixaram claro que ficaram satisfeitos com o resultado da atividade, pois todos estavam com medo por não saberem fazer certos penteados e também pelo numero de participantes na oficina.

Chegamos a conclusão que, depois dessa oficina, constituímo-nos realmente como um grupo: os resultados foram bem maior do os esperados; conseguimos passar às alunas que elas podem sim estar bonitas usando seu cabelo natural, sem alisamentos.

Ao final, discutimos sobre nossa confraternização que será realizada dia 26 de junho de 2014, no Balneário Santo Antônio. Pagaremos 25 reais para cada bolsista com almoço incluso. Foi um dia muito produtivo.

IMAGENS DA OFICINA




































Frequência nas atividades:

A Nayara faltou na parte da manhã. Késia faltou na parte da tarde.




















terça-feira, 6 de maio de 2014

9º REUNIÃO DE FORMAÇÃO (06/05/2014)

Até que a cor da pele de um homem não tenha maior significado que a cor dos seus olhos haverá a guerra. Bob Marley, música War. (álbum Rastaman Vibration, de Bob Marley and the Wailers, de 1976).
Serviço:
Autoria do texto e das imagens: equipe PIBID, Subprojeto História
Relações públicas e secretariado de maio: Maria Elisa e Wariane
Revisão textual: Euzebio Carvalho


Capa do CD de Chica César
Relato:
 
Na manhã do dia 06 de maio de 2014, realizamos uma atividade diferenciada na Escola de Tempo Integral Doutor Albion de Castro Curado. Como havíamos anteriormente planejado (veja postagem específica), apresentamos a música Respeitem meus cabelos, brancos do cantor paraibano Chico César. Cada grupo, em sua respectiva sala/ano, teve como objetivo mostrar aos alunos a importância de respeitar as diferenças étnico-raciais, a partir do trabalho com essa música.


A escolha do tema dessa atividade deveu-se ao fato que a sociedade acaba discriminando as pessoas devido ao seu cabelo. Isso não é diferente dentro dos ambientes escolares. Decidimos realizar esta oficina após um certo acontecimento dentro da escola.

Cabelo Afro
Uma aluna se sentiu discriminada por conta do seu cabelo afro e procurou a diretora para fazer uma reclamação. Nós integrantes do subprojeto de História da CAPES/PIBID Educação das relações étnico-raciais: as africanidades brasileiras na sala de aula buscamos então uma maneira para intervir positivamente diante desse fato. Nosso objetivo era mostrar que as diferenças existem e que devemos respeitá-las. E isso passa, inclusive, por questões estéticas.


Para que a atividade fosse realizada de forma objetiva, os bolsistas seguiram a metodologia apresentada pelo coordenador do subprojeto, professor Euzebio. Primeiramente, foi trabalhado a música e as sensações que ela proporcionava aos estudantes. Perguntamos sobre os sentimentos que a música provocou neles. Depois falamos um pouco sobre os instrumentos utilizados e o estilo/ritmo da canção. Somente depois é que analisamos os versos do autor, a "letra da música". A partir dela, discutimos e refletimos sobre os elementos relativos à História e Cultura Afro-Brasileira, à identidade negra, à diversidade e ao multiculturalismo, às diferentes características étnicas entre outros elementos.

Cartaz feito pela bolsista Nayara para compor o mural
Buscamos despertar nos jovens alunos a consciência racial, bem como estimular uma elevação da sua autoestima.

Ao tempo em que essas discussões aconteciam dentro das salas de aulas, os demais bolsistas montavam um mural no pátio da escola também relacionado à música. Esse mural foi composto por imagens que havíamos selecionado previamente e impressas em tamanho A4. Com elas formamos o mural. Escolhemos imagens de celebridades com cabelos afros, exibindo diferentes penteados e formas de construir seus corpos e cuidar de seus cabelos. Juntamente com as imagens, afixamos também algumas frases de efeitos contra o racismo.

Para que os alunos também pudessem interagir e participar do mural, deixamos algumas folhas em branco, para que eles também pudessem escrever suas frases. 

Depois dessas atividades, no período da tarde, nos reunimos às 14h, no CEPEDOM, da UEG, campus Goiás. O professor Euzebio distribuiu duas revistas para lermos: a TRIP (voltada ao público masculino) e a TPM (para o público feminino). Pediu que cada bolsista escolhesse uma matéria, lesse, fizesse um registro no DC e depois apresentasse em forma de comunicação oral para todo o grupo. Esse momento de socialização ficou marcado para o dia 20 de maio.

Também foi distribuído para cada bolsista uma edição do jornal da UEG, do qual deveríamos ler a reportagem Eu sou aquilo que vejo nos seus olhos, recortar e colar no Diário de Campo. Depois de fazer uma análise sobre a mesma, deveríamos produzir um registro no DC. Essa atividade ficou marcada para ser entregue no dia 13 de maio.

Após esse momento, à partir da sugestão da bolsista Wariane, assistimos ao vídeo-clipe da da música Racismo é burrice (Lavagem Cerebral) do rapper Gabriel o Pensador (extraído do álbum MTV ao Vivo, de 2003). Primeiro, discutimos questões relativas aos instrumentos e o ritmo da música que é um RAP (sigla para a expressão Rhythm and Poetry / Ritmo e Poesia) estilo de música de origem afro-estadunidense. Depois, debatemos algumas questões abordadas na letra da música.






Discutimos sobre o verso “faça uma lavagem cerebral”. Chegamos à conclusão que ela se referia à uma mudança radical na nossa forma de pensar. O racismo foi uma coisa que se propagou de geração pra geração. Portanto, para reverter isso é preciso uma "lavagem cerebral". Mas essa mudança não pode ser imposta, devemos nos conscientizar e conscientizar as pessoas sobre o racismo, para que a partir disso, elas possam mudar o seu modo de pensar e de agir.

"Racismo é burrice"
Uma abordagem interessante foi sobre o verso “tem gente que pensa que racismo não dói”. O racismo não é só constituído por palavras e agressões verbais como muitas pessoas por aí pensam. Essas agressões verbais também provocam dores psicológicas e, inclusive, físicas. Além disso, existem muitos casos de violência física motivadas pela cor da pele. Infelizmente, pessoas morrem simplesmente pelo fato de serem negras como acontece muitas vezes com a juventude negra, por exemplo.

Diversidade étnica
Após concluirmos a análise da música, marcamos para o dia 27 a continuação da oficina sobre cabelo afro realizada no Colégio Albion. Realizaremos penteados que valorizem os cabelos das alunas. Essa atividade será seguida de uma palestra da professora Lídia. O encerramento da manhã será um desfile com as alunas que participaram da oficina, mostrando os seus cabelos. 

Na reunião da tarde, avaliamos as atividades do período matutino, momento em que foi realizada a oficina com a música Respeitem meus cabelos, brancos de Chico César. Observamos que houve uma aceitação muito grande por parte dos alunos, e dos professores também. 
Somos todos irmãos
Os estudantes gostaram da aula diversificada, tiveram muitas duvidas a primeira instancia. Mas após as explicações dos bolsistas do projeto, e da contribuição dos professores, conseguiram assimilar as idéias que o cantor evidenciou na música. Tivemos um caso de resistência, em que, uma aluna não queria fazer as atividades, mas com a orientação de um dos integrantes do projeto ela à efetuou. Observamos em sua fala que ela tem uma consciência muito grande do racismo, sentimento esse de quem, em algum momento, sofreu pelo preconceito da sociedade.

Este portanto constitui nosso Coletivo de Estudo e Pesquisa, do qual concluímos ter sido muito produtivo.


Frequência nas atividades do dia:

Na parte da manhã, todos os bolsistas estiveram presentes na atividade. A supervisora, por estar em consulta médica, não pode participar. À tarde, além da profa Maria Cristina, também faltou ao encontro de formação a bolsista Késia.


Fotos da atividade Respeitem meus cabelos, brancos 
(construção do mural)



 Equipe do subprojeto montando o mural, antes do intervalo.




Montagem do mural: diferentes formas de se usar o cabelo afro
Jéssica, à esquerda

Mauro


Fábio, à esquerda, e Euzebio, coordenador do subprojeto






Jaqueline e Jéssica, finalizando a montagem do mural. Na imagem, vemos os cartazes em branco para que os estudantes da escola também deixassem suas frases.
Jéssica

Fábio, à esquerda, e Jéssica à direita.




Nayara e Jaqueline
 

Alguns membros do projeto, após finalizarem o mural

domingo, 4 de maio de 2014

Respeitem meus cabelos, brancos! Um plano de aula para a diferença

Serviço:
Texto de autoria de Euzebio Carvalho

Introdução: apresentando o problema

A educação para as relações étnico-raciais passa, antes de tudo, pela relação com as características corporais que remetem à nossa origem cultural, à nossa vinculação étnica, enquanto grupo, enquanto povo. Por meio dessas características corporais somos identificados e nos identificamos. A cor de nossa pele, a estrutura do nosso cabelo, o conjunto das marcas fenotípicas que trazemos impresso no corpo que nos constitui enquanto grupo e como pessoas, indivíduos.

O cabelo é uma das marcas identitárias mais fortes que trazemos em nosso corpo. Por conta da forma de nosso cabelo somos rotulados. A aparência de nosso cabelo interfere na forma como os outros nos olham, tratam, recebem. Mas também como nos ignoram, nos maltratam. Olhares podem ser acusadores e reprovadores. É por isso que precisamos pensar um pouco sobre isso.

Nos ambientes escolares, essas situações são muito fortes. Estão sempre presentes. Todos nós temos a memória de situações de não aceitação das características de nossos corpos, pelos colegas da escola. É justamente nesse espaço e tempo da escola que devemos trabalhar para construir relações étnico-raciais saudáveis e positivas, livres de preconceitos e discriminações.

Algumas crianças sofrem por conta da forma como são tratadas. Esse sofrimento vai marcar sua subjetividade por muito tempo. A maioria das vezes, de forma dolorida e quase doentia. Por conta desses acontecimentos aprendemos a negar e a destruir muitas características que trazemos nos nossos corpos. 

Situações assim são provocadas pelos coleguinhas, mas também reforçadas pelos professores e professoras, pelos funcionários e pelos gestores da escola. São frequentes as situações em que a vítima de maus tratos são ignoradas. "Deixa isso pra lá", costumam dizer. "Fulano não teve a intenção..." defendem outros. Mas o sentimento ruim que foi plantado em nós continua a existir.

Frases como "cabelo de bombril" ou que temos "cabelo ruim" podem plantar em nós a vontade de destruir o nosso cabelo. Faz-nos sentir a vontade de ter um outro corpo; ser outra pessoa. Lentamente, somos "educados" a nos desgostar. A vontade de "não ser" destrói a nossa tranquilidade, o nosso bem estar no mundo. Passamos a alimentar o desejo de não ser como aparentamos ser, de não ter o que temos e que nos constituí. Sentimo-nos feios, pobres, gordos, desajeitados, deslocados, deficientes... diferentes. E percebemos que essa diferença provoca dor e sofrimento. 

O acúmulo de situações como essas, que se repetem constantemente, provoca apatia, falta de interesse pela escola, revolta, raiva, vergonha. Quantas mães não reclamam que seus filhos "não querem mais ir pra escola"?

No nosso interior, somos forçados a acreditar que é nossa responsabilidade ser diferente. Como se a diferença fosse nossa culpa; como se fôssemos responsáveis pela diferença que trazemos em nosso corpo. Na maioria das vezes, para não sermos mais tratados de forma ruim, começamos a querer mudar. Para não passar por uma situação dolorida novamente, aprendemos a negociar. Negamos o que somos: "eu não sou negro". Mudamos o que temos: "quero alisar meu cabelo". Para ser aceito dentro dos padrões (tidos como) "normais", apagamo-nos, negamo-nos. Construímos uma auto-imagem a partir da negação. Do que eu não sou, do que eu não quero ser. Ficamos a um passo de doenças psicológicas como a esquizofrenia, por exemplo. Tornamo-nos pessoas doentes mentalmente. É como se ficássemos sempre a espera de alguém olhar para nós e nos maltratar novamente. E todo mundo se torna um possível malfeitor.


Os objetos da aula e o respeito à diferença

O que fazer, então? Precisamos aprender a conviver (e não a "tolerar") as diferenças. Desde criancinhas. Ninguém precisa parecer comigo e eu não preciso parecer com ninguém para ser legal, bom, bonito, inteligente, correto, verdadeiro etc, etc. Podemos ser isso tudo, dentro e a partir da nossa diferença.

Para pensar um pouco sobre a relação de nosso cabelo com a identidade que construímos, com os sentimentos que alimentamos, com o bem estar bem, com a autoestima, trazemos uma proposta de atividade para ser realizada na escola.

A partir de uma ocorrência na escola, em que uma aluna se sentiu ofendida em sua diferença, o grupo do PIBID planejou uma série de intervenções. Em uma aula, apresentaremos a música "respeitem meus cabelos, brancos!" do cantor paraibano Chico César. Já conhece a música? E o cantor? Mesmo que sim, convidamos a clicar nos links e (re)ler/ouvir um pouco mais. Essa música é a penúltima faixa do quinto álbum do artista. 

O disco leva o mesmo título da faixa ("Respeitem meus cabelos, brancos") e foi , lançado em 2002. Segue a letra, retirada de seu sítio oficial:

Respeitem meus cabelos, brancos / 
chegou a hora de falar / 
vamos ser francos / 
pois quando um preto fala o branco cala ou deixa a sala com veludo nos tamancos / 
cabelo veio da África / 
junto com meus santos / 
cabelo veio da áfrica / 
junto com meus santos / 

benguelas, zulus, gêges, rebolos, bundos, bantos / 
batuques, toques, mandingas, danças, tranças, cantos / 
respeitem meus cabelos, brancos / 
respeitem meus cabelos, brancos / 
 
se eu quero pixaim, / 
deixa / 
se eu quero enrolar, / 
deixa / 
se eu quero colorir, / 
deixa /
se eu quero assanhar, / 
deixa, deixa, deixa a madeixa balançar

se eu quero pixaim, / 
deixa / 
se eu quero enrolar, / 
deixa / 
se eu quero colorir, / 
deixa /
se eu quero assanhar, / 
deixa, deixa, deixa a madeixa balançar
[Repete]
Fui claro?

Chico César assim se manifesta sobre a música:

Quando digo "respeitem meus cabelos, brancos" não falo só de mim nem quero dizer só isso. Debaixo dos cabelos, o homem como metáfora. A raça. A geração. A pessoa e suas idéias. A luta para manter-se de pé e mantê-las, as idéias, flecheiras. É como se alguém dissesse "respeitem minha particularidade". É o que eu digo, como artista brasileiro nordestino descendente de negros e índios. E brancos. Ou ainda no plural: minhas particularidades mutantes. Fala-se em tolerância. Pois não é disso que se trata. Trata-se de respeito (encarte do cd). 

 

Metodologia de ensino

A nossa proposta é a apresentação dessa música nas aulas de história, nas turmas do ensino fundamental (6º ao 9º ano). A metodologia de ensino a ser utilizada é a seguinte: 1º apresentar o áudio da música para todos ouvirem (sem mostrar a letra, ainda) e depois discutir a letra.

No primeiro momento, após a audição da música, é para os alunos:
  1. Identificar os instrumentos musicais utilizados;
  2. Identificar o gênero/estilo da música;
  3. Socializar as sensações que a música provocou em seu corpo (alegria, felicidade, diversão?)
Somente depois de feito isso, entregaremos a letra. No segundo momento, então, ouviremos novamente a música, acompanhando a letra impressa no papel. Depois, analisaremos o discurso construído pelos versos do autor, por meio das seguintes perguntas:
  1. Qual o tema da música?
  2. Quais versos remetem à História e Cultura Afro-Brasileira?
  3. Identidade, diversidade e diferença étnica: o que é e como ela aparece na letra?
  4. Consciência racial: o que é e como ela aparece na letra?
Depois de pensarmos sobre isso, é preciso finalizar a atividade fazendo o "fechamento" da análise. Para isso, propomos a seguinte pergunta orientadora:
  1. Quais os sentidos, argumentos, teses, ideias e pensamentos são construídos/defendidos por/nesse discurso?
As respostas dos estudantes podem ser orais, afinal o que se espera é o debate e a consequente reflexão sobre o problema apresentado. Mas, também podemos pedir as respostas por escrito, no caderno; podemos pedir desenhos para serem expostos etc.

Paralelo a essa atividade que acontece dentro da sala, na escola será montado um mural com várias fotografias coloridas e impressas de cabelos afro-brasileiros. O objetivo é marcar a diferença e as várias possibilidades de uso do cabelo, desde os penteados mais simples até as produções mais complexas.

Essas imagens serão pontuadas por "frases de efeito" escritas em pequenos cartazes que positivem e aprovem os cabelos afro-brasileiros, como por exemplo: "em terra de chapinha, quem tem black é rainha"; "meu cabelo não é ruim, ruim é seu racismo", "meu cabelo vem da África, junto com meus santos" e outras. Cada integrante do projeto ficou de levar suas frases de efeito.

Posteriormente, nos dias consecutivos, serão organizadas oficinas de penteados afro. Ao final, depois de uma palestra com a profa. Lídia Cruz, haverá um desfile para exibir os penteados realizados.

Material de apoio

Para o planejamento e preparação da aula, sugerimos a leitura dos textos:

O texto escolar: "Radiola PW: respeitem meus cabelos, brancos" do Professor Web

O artigo acadêmico: "Respeitem meus cabelos, brancos: música, política e identidade negra", de Felipe Trotta e Kywza, publicado na Revista Famecos (Qualis A2), de 2012.

O capítulo "Trajetórias escolares, corpo negro e cabelo crespo: reprodução de estereótipos ou ressignificação cultural", de Nilma Lino Gomes, publicado no livro Educação como exercício de diversidade, de 2005 (volume 7, da coleção Educação para todos)

Além disso, indicamos também algumas montagens feitas a partir da música e disponíveis no youtube