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terça-feira, 23 de junho de 2015

43° Reunião de Formação e Realização do Projeto Erê (23/06/2015)

Serviço: 

Autoria do texto: equipe PIBID, Subprojeto História
Relações públicas e secretariado de Junho: Jessica e Patricia
Revisão textual: Maria Cristina

Cantora Clementina de Jesus  


No período da manhã teve a leitura do Conto “Eleguá ajuda Orunmilá a ganhar o cargo de adivinho”, que foi depois discutido pelo grupo. Em seguida a análise da música, “Boca de Sapo”, cantada por Clementina de Jesus e João Bosco. A manhã terminou com a apresentação da bolsista Wariane da subseção “As três dimensões de aprendizado da formação histórica” que compõem o capitulo 02 “Didática - funções do saber histórico”, do livro História Viva de Jörn Rüsen.


Cartaz de divulgação do evento
 No período Vespertino houve a realização do projeto Erê com a presença da Erika Santos, empresária da marca “Njinga moda Afro”. Em um primeiro momento ela realizou uma conversa levantando questionamentos sobre: “Identidade Negra”, “racismo”, “ancestralidade”. Após ela apresentou o documentário “A deusa do Ébano”, que retrata um concurso de mulheres negras. O documentário deu espaço para ela concluir a conversa e os questionamentos levantados anteriormente, contando com a participação do publico. 

A segunda parte foi a Oficina de Ojá, onde a Erika ensinou diversos modelos de ojás, feitos com vários tipos de tecidos. Nesse momento da atividade, as pessoas envolvidas se reversaram para fazer o ojá uma da outra. O momento da atividade, além é claro de trazer um conhecimento sobre a cultura africana, e a valorização em relação a ela, proporcionou alegria e um contato muito positivo. O envolvimento e interesse das pessoas, que aprenderam a fazer ojá brincando e se divertido, trouxe para a atividade um sentido de respeito e valorização diante daquilo que estava sendo aprendido.

Galeria de Fotos: 
Erika durante a Oficina de Ojá

Euzebio e Jade


 
Participantes e bolsistas durante a oficina

Participantes na escolha dos tecidos

Elivan, Victor, Jessica, Maria Elisa, Jaqueline e Tauany


Maria Elisa Santos: Nós pibidianos juntamente com nossa convidada Erika Santos, realizamos uma oficina de turbante, aprendemos vários modelos legais que com certeza nos interliga com a cultura africana. E isso é muito bom, pois quando nos sentimos bem com uma cultura diferente da nossa, é sinal que estamos abertos para receber o outro sem discriminação e preconceito, várias pessoas, participantes, se interessaram em aprender como fazer o Ojá (turbante) sentimos muito felizes com o abraço cultural que todos deram.

domingo, 19 de abril de 2015

quinta-feira, 12 de março de 2015

COMPARTILHANDO... IDENTIDADE E RESISTÊNCIA: Mulheres Negras Combatem Padrões de Beleza

Manifesto Crespo: Encontro em aldeia guarani, em SP, compartilha costumes ancestrais e luta contra estereótipos da indústria da moda



FOTO: Felipe Scapino

No extremo sul da cidade de São Paulo, na aldeia Tenondé Porã, onde vive parte da comunidade guarani, o coletivo Manifesto Crespo, formado por mulheres negras, promoveu o evento “Tecendo e trançando arte”. O projeto, criado com a finalidade de discutir a beleza verdadeira da mulher brasileira através da quebra dos estereótipos que predominam na moda e na mídia, levou até a comunidade indígena oficinas e atividades de troca de saberes entre as mulheres presentes.


Dentro de uma área de Mata Atlântica ainda preservada, as mulheres se uniram para compartilhar costumes ancestrais e colocar em contato essas etnias diferentes, mas com históricos comuns de luta, sofrimento e resistência. Em um ambiente marcado pela diversidade, anfitriãs e visitantes fortaleceram os laços que historicamente unem as duas culturas.

FOTO: Marina Fontanelli

“O encontro nesse ambiente, junto aos povos originários foi escolhido porque a aldeia conta com a Jerá Guarani, uma liderança feminina que nos dá orgulho e que sabe que no passado existia muita união entre as comunidades negra e indígena”, afirma Lúcia Udemezue, membra do Manifesto Crespo.  Segundo ela, o ativismo de Jerá Guarani em diversos movimentos políticos fortalece a participação feminina na aldeia. “Nós acreditamos que as pautas das nossas lutas se encontram de alguma maneira e estamos juntos defendendo uma bandeira maior, em busca igualdade pra que seja feita a justiça que não foi feita há séculos em nosso país”, completa Udemezue.


FOTO: Semayat Oliveira

“Ao aprender as amarrações para carregar os filhos percebi que nós fazemos da mesma forma que os negros. Dá pra ver a semelhança entre a sabedoria milenar presente nas duas partes”, diz Poty Porã, mulher guarani e professora da escola da aldeia. Segundo ela, foi gratificante participar das atividades e aprender a fazer turbantes e outras amarrações que foram ensinadas pelas integrantes do grupo.

Bonito é ser diferente

“As histórias das mulheres negras brasileiras possuem relatos semelhantes: quando crianças tinham o cabelo trançado pelos familiares, na juventude alisava e na idade adulta, há a busca por assumir os crespos”, conta Denise Souza, educadora e integrante do Manifesto Crespo. Para ela, as vivências organizadas encontram pontos em comum, independente do lugar onde seja aplicada.

FOTO: Nathália Kamura

“A mídia, atualmente, mostra sua agressividade porque estamos reagindo. Quanto mais a gente combater, mais virá essa força contrária”, conta Lúcia Udemezue. O projeto se propõe a mostrar a beleza da diversidade e da mulher negra, na luta contra a mídia e a publicidade monocromática que insiste em explicitar em propagandas, filmes e novelas um único tipo de mulher, de pele branca e cabelos lisos.

“Quando fazemos esse tipo de atividade dá pra ver que o olhar das pessoas muda e elas começam a enxergar a cultura negra de outra forma”, pontua Thays Quadros, produtora do projeto. Ela conta que o intuito do coletivo é passar as técnicas de tranças e turbantes de geração em geração, incentivando as crianças a aprenderem essas tradições. “Quando uma criança conhece a outra cultura, sabendo sobre as diferenças vai olhar com outros olhos e apreciar a beleza da diversidade. Para combater o racismo é preciso ensinar as pessoas a respeitar as diferenças”, completa.

Trançando e tecendo arte

Em 2014, o Manifesto Crespo, em parceria com a União Popular de Mulheres do Campo Limpo, foi contemplado com o “Prêmio Lélia Gonzalez – protagonismo de organizações de mulheres negras”. A iniciativa propõe a realização do resgate da cultura artística das tranças e turbantes afro em 5 cidades do estado, que contam lideranças femininas representativas e tradições ligadas a cultura africana no Brasil.

FOTO: Felipe Scapino

“Nosso projeto começou com um grupo de mulheres jovens e negras que se reuniram para discutir a questão de identidade através do cabelo”, conta Lucia Udemezue. O impulso inicial para o nascimento do coletivo veio, segundo ela, das dificuldades de aceitação do cabelo crespo. “Começamos a juntar várias experiências para montar um projeto de cunho artístico, pedagógico e também político. Para assim, criar um ambiente em que a gente pudesse compartilhar as experiências e ouvir das mulheres como elas não aceitas em sociedade por conta de um padrão de beleza imposto”, completa.


Texto originalmente publicado no síto Negro Belchior em 05/03/15.